E se voltássemos a ser todos diferentes?
Vasco Domingos, Senior Manager da agap2IT, assinou um artigo no online da publicação Human Resources.
Cada vez mais, vivemos rodeados de processos automáticos.
Automatizamos respostas, propostas, apresentações, mensagens e até a forma como comunicamos valor aos clientes.
À primeira vista, isto parece-nos maravilhoso. E, em muitos aspectos, é, torna-nos mais rápidos, mais eficientes e mais ágeis na forma como respondemos às necessidades do mercado. Permite-nos chegar mais depressa ao “tal” sucesso junto de um cliente ou até possível cliente, estruturar melhor uma solução e ganhar tempo em processos que antes eram mais manuais e demorados.
Mas há uma pergunta que me parece cada vez mais importante: e se, no meio de tanta automação, começarmos todos a parecer iguais?
E se aquilo que nos diferencia, a forma como apresentamos valor, como interpretamos uma necessidade, como damos resposta a um desafio, também estiver automatizado? E se a única diferença entre nós e o concorrente for a cor do documento ou o logótipo no canto superior da página?
Não me interpretem mal, também eu sou um utilizador destas ferramentas e acredito no seu valor. Vivemos num mundo onde a rapidez da resposta, a eficiência e a capacidade de apresentar boas soluções em pouco tempo são fatores muito relevantes. A inteligência artificial e a automação vieram para ficar, e ignorá-las não é uma opção.
Mas, da mesma forma que considero essencial usá-las, também considero essencial não perder aquilo que continua a ser profundamente humano: a sensibilidade, o pensamento crítico, a capacidade de interpretar contextos, perceber pessoas e adaptar a mensagem a cada realidade.
Porque, no fim, não estamos apenas a responder a um procurement, a um departamento de recursos humanos ou a uma oportunidade de projecto. Estamos a falar com pessoas, pessoas com desafios, expectativas, pressões, objectivos e formas diferentes de ver o mundo.
A tecnologia pode ajudar-nos a chegar mais depressa. Mas cabe-nos a nós garantir que chegamos de forma diferente.
Talvez o verdadeiro desafio não seja automatizar mais.
Talvez seja usar a automação sem perder a nossa identidade.
Porque, no fim, não será a rapidez da resposta que nos vai distinguir. Será a intenção com que respondemos, a atenção que damos ao detalhe e a capacidade de mostrar que, por trás de cada solução, continua a existir pensamento, critério e pessoas.
E talvez seja precisamente aí que voltamos a ser diferentes.
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