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22 Jul 2026

Construindo Parcerias Tecnológicas entre a Escandinávia e Portugal: Um Novo Capítulo na Agap2IT


Em toda a Escandinávia, a procura por talento tecnológico continua a crescer mais rapidamente do que a oferta disponível. As empresas estão a investir na transformação digital, cloud, cibersegurança, inteligência artificial e automação, mas muitas enfrentam a mesma limitação: não conseguem encontrar profissionais de TI experientes com a rapidez necessária para apoiar as suas ambições.

Não se trata de falta de procura. Trata-se de falta de talento disponível.

Na Noruega, o relatório de mercado de trabalho TIC 2025 da NITO conclui que, mesmo depois de o número de especialistas em TIC ter aumentado cerca de 40% desde 2015, será necessário recrutar mais 12.000 especialistas até 2030. Na Dinamarca, esse número aproxima-se dos 20.000. Na Suécia, a ManpowerGroup refere que 76% das empresas têm dificuldade em encontrar profissionais com as competências certas, sendo a área das Tecnologias de Informação aquela onde a escassez é mais acentuada.

Estes números refletem aquilo que tenho ouvido nas minhas conversas com empresas escandinavas: a ambição de crescer existe, os projetos existem, os orçamentos, muitas vezes, também. O verdadeiro desafio continua a ser o acesso a talento tecnológico experiente.

Foi precisamente uma das razões pelas quais decidi juntar-me à agap2IT.

Ao longo do meu percurso, trabalhando com e para o mercado nórdico, percebi como as empresas escandinavas encaram as parcerias. A confiança é essencial. A transparência também. A qualidade é indispensável. E a compatibilidade cultural faz toda a diferença. As empresas não procuram simplesmente "mais recursos"; procuram pessoas de confiança, capazes de compreender o seu negócio, comunicar de forma clara e acrescentar valor desde o primeiro dia.

Quando a agap2IT me convidou para ajudar a explorar o mercado nórdico, vi uma oportunidade clara para aproximar duas regiões altamente complementares.

Na minha perspetiva, Portugal é hoje um dos parceiros tecnológicos mais relevantes da Europa para as empresas escandinavas. Dispõe de uma forte base de talento em engenharia e Tecnologias de Informação, de um ecossistema empresarial internacional maduro e de profissionais habituados a trabalhar em ambientes multiculturais e multilingues. Além disso, Portugal posiciona-se entre os países com melhor domínio da língua inglesa a nível mundial. No EF English Proficiency Index 2025, ocupa a 6.ª posição global, à frente da Dinamarca e da Suécia.

E isso faz toda a diferença.

Para as empresas escandinavas que avaliam modelos de nearshore, a comunicação é frequentemente uma das maiores preocupações. A equipa compreenderá verdadeiramente o nosso contexto? Será capaz de nos desafiar de forma construtiva? A colaboração será natural? Portugal responde de forma muito positiva a estas questões. Partilha um fuso horário compatível, apresenta uma proximidade cultural com o Norte da Europa, possui uma forte orientação internacional e acolhe já inúmeras multinacionais e operações tecnológicas.

A verdadeira oportunidade não está apenas na externalização de serviços. Está na construção de parcerias.

Equipas nearshore em Portugal permitem às empresas escandinavas aceder a um universo mais amplo de talento, mantendo proximidade geográfica, compatibilidade horária, afinidade cultural e facilidade de comunicação. Esta abordagem revela-se particularmente vantajosa para organizações que necessitam de escalar equipas de desenvolvimento de software, reforçar competências em dados, cloud ou DevOps, aumentar a capacidade em cibersegurança ou criar equipas de entrega estáveis e de longo prazo.

Ao mesmo tempo, acredito que existe uma importante ponte cultural por construir.

As empresas escandinavas tendem, naturalmente, a ser prudentes. Valorizam o controlo, a previsibilidade e relações de longo prazo. Procurar talento fora do mercado local pode representar um passo significativo, sobretudo para organizações que nunca recorreram a modelos de nearshore ou outsourcing.

Do lado português, observo o desafio inverso. Existe um enorme nível de competência técnica, mas Portugal nem sempre se promoveu no mercado nórdico com a confiança que merece. O talento, a experiência e a capacidade de entrega já existem. O próximo passo passa por criar maior visibilidade, reforçar a confiança e estabelecer modelos de colaboração mais estruturados entre as duas regiões.

É precisamente aqui que vejo a agap2IT desempenhar um papel relevante.

A agap2IT construiu uma reputação sólida, tanto enquanto parceiro tecnológico como enquanto excelente lugar para trabalhar. Internamente, aquilo que mais me impressionou foi a energia, a competência e a ambição da organização. É um ambiente dinâmico, composto por pessoas que trabalham com rapidez, mas sempre com propósito. Esse equilíbrio é fundamental: rapidez sem estrutura gera risco, estrutura sem agilidade limita o progresso. Os melhores parceiros tecnológicos conseguem combinar ambas.

A minha visão para esta nova área internacional passa por desenvolver parcerias duradouras e assentes na confiança entre empresas escandinavas e equipas tecnológicas portuguesas. Não se trata de recrutamento pontual. Não se trata de outsourcing genérico. Trata-se de construir modelos de colaboração práticos e adaptados à realidade de cada organização, capazes de responder a desafios concretos de capacidade e competências.

Para algumas empresas, isso poderá significar recorrer a consultores especializados em áreas específicas. Para outras, poderá passar pela criação de equipas dedicadas, serviços geridos ou parcerias tecnológicas de longo prazo. O modelo adequado dependerá sempre do nível de maturidade da organização, da sua capacidade interna e dos seus objetivos estratégicos.

No entanto, a questão de fundo mantém-se:

Como está a sua organização a responder à escassez de talento tecnológico?

Se o recrutamento local já não é suficiente, talvez tenha chegado o momento de integrar o nearshoring numa estratégia mais abrangente de gestão de talento. Portugal está preparado para contribuir. A Escandinávia tem a procura. A oportunidade consiste agora em aproximar estas duas realidades de forma prática, transparente e orientada para a criação de valor sustentável.

Na agap2IT, é exatamente dessa conversa que queremos fazer parte.